19 Março 2025

 

  • “O genocídio de Israel e os seus ataques aéreos ilegais já causaram um sofrimento humanitário sem precedentes em Gaza. Agora, voltámos à estaca zero” — Agnès Callamard
  • Investigadores da Amnistia Internacional falaram com o pessoal médico que trabalha em três hospitais da cidade de Gaza e da província de Gaza Norte, que descreveram cenas de horror indescritível

 

 

Uma série de ataques israelitas em toda a Faixa de Gaza ocupada durante a noite de terça-feira, que matou pelo menos 414 palestinianos, incluindo 174 crianças, e deixou hospitalizadas mais de 550 pessoas, assinalando o fim unilateral da trégua com o Hamas, levaram a secretária-geral da Amnistia Internacional, Agnès Callamard, a afirmar que “este é um dia desesperadamente negro para a humanidade”. E acrescentou: “Israel retomou descaradamente a sua devastadora campanha de bombardeamento em Gaza, matando pelo menos 414 pessoas durante o sono, incluindo pelo menos 100 crianças, e aniquilando novamente famílias inteiras numa questão de horas. Os palestinianos em Gaza – que ainda mal tiveram oportunidade de começar a reconstruir as suas vidas e continuam a debater-se com o trauma dos ataques anteriores de Israel – acordaram uma vez mais para o pesadelo infernal dos bombardeamentos intensos”.

“Israel retomou descaradamente a sua devastadora campanha de bombardeamento em Gaza, matando pelo menos 414 pessoas durante o sono, incluindo pelo menos 100 crianças, e aniquilando novamente famílias inteiras numa questão de horas”

Agnès Callamard

“O genocídio de Israel e os seus ataques aéreos ilegais já causaram um sofrimento humanitário sem precedentes em Gaza. Agora, voltámos à estaca zero. Desde 2 de março, Israel voltou a impor um cerco total a Gaza, impedindo a entrada de toda a ajuda humanitária, medicamentos e fornecimentos comerciais, incluindo combustível e alimentos, em flagrante violação do direito internacional. Israel cortou também o fornecimento de eletricidade à principal central de dessalinização em funcionamento em Gaza. E esta terça-feira os militares israelitas começaram mais uma vez a emitir ordens de ‘evacuação’ em massa, deslocando os palestinianos”.

“Os investigadores da Amnistia Internacional falaram com o pessoal médico que trabalha em três hospitais da cidade de Gaza e da província de Gaza Norte, que descreveram cenas de horror indescritível que começaram nas primeiras horas da manhã de terça-feira. Al-Shifa, outrora o maior complexo médico de Gaza, agora em grande parte destruído por anteriores ataques militares israelitas, tinha apenas três camas para receber os feridos”.

 

Um rapaz sentado ao lado dos corpos de vítimas mortais dos bombardeamentos israelitas em Gaza, embrulhados em cobertores no hospital Ahli Arab, também conhecido como hospital Batista, na Cidade de Gaza, em 18 de março de 2025. Foto de OMAR AL-QATTAA/AFP via Getty Images.
Um rapaz sentado ao lado dos corpos de vítimas mortais dos bombardeamentos israelitas em Gaza, embrulhados em cobertores no hospital Ahli Arab, também conhecido como hospital Batista, na Cidade de Gaza, em 18 de março de 2025. Foto de OMAR AL-QATTAA/AFP via Getty Images.

 

“O hospital Batista Árabe Al-Ahli, na cidade de Gaza – o único hospital com uma unidade de cuidados intensivos a funcionar – foi obrigado a tratar alguns dos 80 feridos que recebeu nos corredores e no pátio do hospital. O hospital indonésio é o único hospital no norte da província de Gaza que mal está a funcionar. Está ainda em processo de reconstrução, na sequência da anterior campanha militar de Israel”.

“A dizimação quase total do sistema de saúde em Gaza, particularmente no norte, e a escassez desesperada de equipamento e material médico, exacerbada pelo cerco ilegal de Israel, significa efetivamente uma sentença de morte para muitos dos que têm ferimentos e doenças graves, incluindo aqueles que, em condições normais, seriam facilmente curáveis. Ao mesmo tempo, as autoridades israelitas continuam a impor restrições extremamente apertadas às evacuações médicas para fora de Gaza”.

“Há uma sentença de morte para muitos dos que têm ferimentos e doenças graves, incluindo aqueles que, em condições normais, seriam facilmente curáveis. “

Agnès Callamard

“O recomeço dos ataques israelitas põe também em risco a vida dos 24 reféns israelitas que se crê estarem vivos. Este é também um golpe cruel para os reféns e os detidos palestinianos, bem como para as suas famílias. Recordamos a todas as partes que os reféns civis e os palestinianos detidos arbitrariamente devem ser libertados”.

“O mundo não pode ficar de braços cruzados e permitir que Israel continue a infligir níveis espantosos de morte e sofrimento aos palestinianos em Gaza. Exortamos todos os Estados a cumprirem as suas obrigações de prevenir e punir o genocídio e a garantirem o respeito pelo direito humanitário internacional, pressionando Israel a pôr termo aos seus ataques e a facilitar a entrada incondicional e sem entraves da ajuda humanitária”.

“Os Estados devem unir-se e exigir o reinício imediato de um cessar-fogo duradouro, o fim do genocídio de Israel contra os palestinianos em Gaza e o desmantelamento do seu sistema de apartheid e de ocupação ilegal do território palestiniano”.

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Fim ao genocídio de Israel contra os palestinianos em Gaza

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