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terça, 13 dezembro 2016 14:49

Relatos de execuções de civis em Alepo indiciam crimes de guerra pelas forças do Governo sírio

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Relatos profundamente chocantes feitos pelas Nações Unidas de dezenas de civis executados extrajudicialmente por forças militares governamentais sírias, conforme estas avançam no terreno de combate em Alepo oriental, indiciam que estão a ser cometidos crimes de guerra, avalia a Amnistia Internacional. A organização de direitos humanos insta firmemente a que todas as partes envolvidas no conflito protejam, com absoluta urgência, a população civil da cidade.

O gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos avançou esta terça-feira, 13 de dezembro, ter provas credíveis de que pelo menos 82 civis foram mortos em estilo de execução por forças governamentais sírias e grupos a elas associados, as quais entraram nas casas das pessoas, na zona de Alepo oriental, e as mataram prontamente aí ou nas ruas da cidade, ao longo das últimas horas.

“Estes relatos de que civis – incluindo crianças – estão a ser massacrados a sangue-frio nas suas casas por forças governamentais sírias são profundamente chocantes, mas não são inesperados tendo em conta a conduta que [o Exército sírio] tem tido até agora. Tais execuções extrajudiciais constituem crimes de guerra”, frisa a vice-diretora de Investigação do escritório regional em Beirute da Amnistia Internacional, Lynn Maalouf.

A perita recorda que “ao longo de todo o conflito, as forças governamentais sírias, com o apoio da Rússia, têm repetidamente dado provas de um total desprezo pela lei internacional humanitária e mostrado desdém absoluto sobre o que acontece aos civis”. “O facto é que têm visado regularmente as populações civis como estratégia, tanto durante as operações militares como através de vagas em larga escala de detenções arbitrárias, de desaparecimentos e de tortura e outros maus-tratos. Com as forças governamentais sírias a conquistarem o controlo de Alepo oriental, o risco de continuarem a cometer tais atrocidades aumenta substancialmente os receios do que vai acontecer a milhares de civis que permanecem encurralados”, prossegue.

“Nestes meses recentes, o mundo – incluindo o Conselho de Segurança das Nações Unidas – tem vindo a observar, do lado de fora, os civis a serem massacrados todos os dias, e Apelo oriental a ser arrasada e transformada numa vala comum”, critica Lynn Maalouf. “A inação global face a tão grande falta de humanidade é vergonhosa. A ausência de responsabilização por crimes de guerra e crimes contra a humanidade tem vindo a permitir que as partes em conflito e, em especial, as forças governamentais cometam estes crimes a uma escala maciça. É crucial que, quanto antes, sejam mobilizados observadores independentes para garantir que a população civil é protegida e que é dado acesso humanitário para que a ajuda que salva vidas consiga chegar às pessoas que tanto precisam dela”, exorta ainda a vice-diretora de Investigação do escritório regional em Beirute da Amnistia Internacional.

Neste momento, os feridos não podem ser deslocados para fora de Alepo e aqueles que tentam fugir dos combates ficam em risco de vida. A Amnistia Internacional insta a que as partes envolvidas no conflito permitam aos civis fugirem e que lhes seja garantida passagem segura para fora da zona.

Conforme as forças governamentais sírias avançaram no terreno nas semanas recentes, civis de Alepo oriental têm prestado testemunhos à Amnistia Internacional de que temem ser alvo de ataques de vingança. As Nações Unidas reportaram ainda na semana passada que centenas de homens e rapazes desapareceram em áreas sob o controlo das forças governamentais, permanecendo desconhecido o seu paradeiro.

“A Amnistia Internacional já antes destacou o sistemático e generalizado recurso a desaparecimentos forçados pelas forças governamentais sírias para atacarem a população civil, no que constitui crimes contra a humanidade. É essencial que sejam mobilizados observadores independentes para o terreno para impedir que ocorram mais desaparecimentos forçados, mais tortura e mais maus-tratos”, reitera Lynn Maalouf.

 

A Amnistia Internacional mantém uma frente de pressão intensa pela proteção dos civis de Alepo, exortando as forças governamentais sírias e as aliadas russas a porem fim aos bombardeamentos implacáveis e ilegais e a permitirem a chegada de ajuda humanitária às populações da cidade, por um lado, e instando também os Estados Unidos a investigarem os relatos credíveis que reportam a morte de civis em resultado das suas operações militares no governorado de Alepo. Junte-se a este apelo: assine as petições!