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terça, 29 novembro 2016 10:39

Civis em Alepo oriental aterrorizados com ataques de vingança

SiteFOTOsiriaAlepoOfensivaFinal28nov2016As forças governamentais sírias que capturaram partes da zona oriental da cidade de Alepo nos dias recentes têm de garantir que é permitida liberdade de circulação aos civis que residem naquelas áreas e que estão protegidos de ataques de vingança, incluindo detenções arbitrárias, tortura, desaparecimentos forçados e perseguição, exorta a Amnistia Internacional.

No passado fim-de-semana, as forças governamentais sírias tomaram o controlo de dois bairros de Alepo oriental – Jabal Badro e Maskaen Hanano – onde residem atualmente pelo menos 100 famílias. Muitos dos civis que permanecem ainda em Alepo descreveram aos investigadores da Amnistia Internacional que vivem aterrorizados de serem alvo de atos de vingança por parte das forças governamentais.

“As forças governamentais sírias têm lançado repetidamente ataques ilegais contra a cidade de Alepo, dando mostras de um desrespeito insensível pela segurança dos civis que residem em zonas da cidade sob o controlo de grupos armados da oposição”, recorda a vice-diretora de Campanhas do escritório regional em Beirute da Amnistia Internacional, Samah Hadid.

A perita frisa que “face ao longo e negro historial de detenções arbitrárias e de desaparecimentos forçados a larga escala do Governo sírio é ainda mais crucial que os civis sejam protegidos nas zonas recém-capturadas na cidade de Alepo”. “O Governo sírio não pode restringir arbitrariamente a liberdade de circulação das populações civis e tem de permitir que abandonem a zona sem receios nem constrangimentos se assim o desejarem”, avança.

O ativista local Fadi contou à Amnistia Internacional que as pessoas que residem em Masaken Hanano e em Jabal Badro não conseguiram fugir da zona quando as forças governamentais avançaram no terreno e estão agora cheios de medo de saírem das suas casas. “Conheço algumas das famílias que me disseram estarem agora fechadas em casa e com medo de sair porque os soldados das forças governamentais estão por todo o lado”, relatou.

Um outro ativista reportou à Amnistia Internacional que as forças governamentais sírias levaram alguns residentes do sexo masculino do bairro de Masaken Hanano para o aeroporto, onde os interrogaram. Os investigadores da organização de direitos humanos não conseguiram confirmar esta informação junto de outras fontes.

Moradores do distrito de Sheikh Maqsoud – que se encontra sob o controlo das Unidades de Defesa do Povo (YPG, braço armado do movimento curdo sírio) – descreveram à Amnistia Internacional que cerca de oito mil pessoas da zona oriental de Alepo fugiram das suas casas ao longo da semana passada perante o intensificar dos combates e dos ataques aéreos. Os civis de Sheikh Maqsoud não têm forma de sair daquela zona sem passarem por Alepo ocidental, que está sob o controlo do Governo sírio. Muitos têm medo demais para fugir, temendo serem alvos de retaliação das forças governamentais se tentarem fazê-lo.

Conforme as forças governamentais sírias apertam o avanço em volta de Alepo oriental é esperado que o cerco àquela parte da cidade se intensifique com consequências devastadoras para as populações civis.

Um morador do distrito de Sheikh Maqsoud que conseguiu fugir com a família descreveu a situação de desespero que se vive na zona: “Cheguei aqui com o meu irmão e as nossas famílias há alguns dias. Arriscámos e não sabíamos se as YPG nos iam deixar passar, mas não aguentávamos mais a fome e o som dos aviões a sobrevoar todos os dias sem parar, e, por isso, decidimos partir... Todo o tipo de alimentos são muito raros e, assim, muito caros. Ao fim de cada dia, sentia-me grato por ter sobrevivido aos ataques aéreos e aos bombardeamentos terrestres. Mas não podíamos continuar a viver daquela maneira”.

 

A Amnistia Internacional mantém uma frente de pressão intensa pela proteção dos civis de Alepo, exortando as forças governamentais sírias e as aliadas russas a porem fim aos bombardeamentos implacáveis e ilegais e permitirem as chegada de ajuda humanitária às populações da cidade, por um lado, e instando também os Estados Unidos a investigarem os relatos credíveis que reportam a morte de civis em resultado das suas operações militares no governorado de Alepo. Junte-se a este apelo: assine as petições!