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segunda, 26 outubro 2009 10:58

A Amnistia Internacional acusou Israel de estar a negar aos Palestinianos o acesso a água potável, mantendo total controlo das fontes de água partilhadas, e de levar a cabo políticas discriminatórias.
Esta restrição de água nos Territórios Palestinianos Ocupados (TPO) é pouco razoável e impede que os Palestinianos desenvolvam infra-estruturas hídricas.  


“Israel permite o acesso dos Palestinianos a apenas uma fracção dos recursos hídricos partilhados, que se encontram principalmente na ocupada Cisjordânia, enquanto as colónias ilegais israelitas recebem praticamente reservas ilimitadas. Em Gaza o bloqueio Israelita piorou uma situação já de si complicada”, afirmou Donatella Rovera, investigadora da Amnistia Internacional em Israel e nos Territórios Ocupados da Palestina.  

A Amnistia Internacional revela, num extenso relatório, as políticas e práticas discriminatórias de Israel no que diz respeito ao acesso à água por parte dos palestinianos. 

Israel usa mais de 80% da água que tem origem na Montanha Aquifer, a principal fonte subterrânea de água em Israel e nos Territórios Palestinianos Ocupados, enquanto os palestinianos estão condicionados a apenas 20%. 

A Montanha Aquifer é a única fonte de água na Cisjordânia para os palestinianos, mas apenas uma de muitas para Israel, que também monopoliza a água do rio Jordão.  

Enquanto o consumo de água por parte dos palestinianos quase não chega aos 70 litros diários por pessoa, um israelita consome por dia mais de 300 litros, quatro vezes mais. 

Algumas comunidades Palestinianas rurais sobrevivem com cerca de 20 litros por dia, a quantidade mínima recomendada para uso doméstico e situações de emergência. 

Entre 180 e 200 mil palestinianos vivem em comunidades rurais, onde não têm acesso a água potável, e o exército Israelita proíbe-os frequentemente de armazenarem água da chuva.  

Em contraste, os colonos Israelitas, que ocupam a Cisjordânia em violação do Direito Internacional, têm explorações com sistemas de irrigação, jardins exuberantes e piscinas.  
Os cerca de 450 mil colonos usam mais ou menos a mesma quantidade de água que a população Palestiniana de cerca de 2.3 milhões.  

Na Faixa de Gaza, 90 a 95% da água do único recurso hídrico existente, a costa marítima de Aquifer, está contaminada e imprópria para consumo humano. No entanto, Israel não permite o transvase da água da Montanha Aquifer desde a Cisjordânia até Gaza.

 As severas restrições impostas nos últimos anos por parte de Israel à entrada de material e equipamento necessário para o desenvolvimento e reparação de infra-estruturas em Gaza causaram deterioração do saneamento e da água, tornando a situação crítica.

 Para lidar com a escassez de água e a falta de uma rede de abastecimento muitos palestinianos têm que comprar água, muitas vezes de qualidade duvidosa, de tanques de água onde o preço é muito mais elevado.

 Outros recorrem a medidas de poupança de água, que são prejudiciais à sua saúde e à da sua família e que impedem o desenvolvimento sócio-económico.

“Em mais de 40 anos de ocupação, as restrições impostas por Israel ao acesso à água por parte dos palestinianos impediu o desenvolvimento de infra-estruturas e instalações hídricas nos Territórios Palestinianos Ocupados, negando, consequentemente, que centenas de milhares de palestinianos tenham direito a uma vida normal, alimentos de qualidade, abrigo ou cuidados de saúde e desenvolvimento económico”, disse Donatella Rovera. 

 Israel apropriou-se de grandes áreas ricas em recursos hídricos dos territórios da Palestina que ocupa e proibiu o acesso dos Palestinianos a estes. 

 Também impôs um sistema complexo de licenças que os Palestinianos devem obter do exército Israelita e de outras autoridades de forma a realizarem projectos relacionados com água nos Territórios Palestinianos Ocupados. Pedidos para a obtenção dessas licenças são geralmente recusados ou sujeitos a grande demora.

 Restrições impostas por Israel ao movimento de pessoas e bens nos Territórios Ocupados dificultam ainda mais a concretização de projectos de saneamento ou mesmo a distribuição de pequenas quantidades de água.

 Camiões-cisterna são forçados a percorrer longas distâncias para evitar os postos de controlo do exército Israelita e ruas às quais os Palestinianos não têm acesso, o que resulta no aumento do preço da água.

 Nas áreas rurais, os palestinianos lutam continuamente para encontrar água suficiente para as necessidades básicas, uma vez que o exército Israelita destrói as cisternas de captação de água da chuva e confisca os camiões-cisterna.

 Em comparação, nos campos das colónias israelitas a água é desperdiçada uma vez que a irrigação da água nos campos é realizada sob o sol do meio-dia e evapora antes mesmo de atingir o solo.

 Em algumas aldeias palestinianas, o acesso à água foi tão condicionado que os agricultores não conseguem trabalhar a terra, ou mesmo cultivar pequenas quantidades de alimentos para consumo pessoal ou para alimentar os seus animais, e foram por isso obrigados a diminuir o tamanho dos rebanhos.

 “Água é um bem básico e um direito, mas para muitos Palestinianos obter quantidades substanciais de água, mesmo que com pouca qualidade, tornou-se um luxo que mal podem pagar”, afirmou Donatella Rovera.

 “Israel deve acabar com as políticas de discriminação, levantar imediatamente todas as restrições impostas aos Palestinianos no acesso à água e assumir a responsabilidade de resolver os problemas que criou, permitindo aos Palestinianos uma parte equitativa dos recursos hídricos comuns”.  

 Nota:
Este novo relatório foi lançado pela Campanha “Exija Dignidade” da Amnistia Internacional, que pretende acabar com as violações aos Direitos Humanos que originam ou agravam situações de pobreza.

 A campanha mobiliza pessoas de todo o mundo para que apelem ao governo, às instituições e àqueles que detêm o poder para que ouçam as vozes daqueles que vivem em pobreza e reconheçam os seus direitos.

 Conheça o relatório: "Thirsting for justice. Palestinian access to water restricted."

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