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segunda, 12 agosto 2013 16:49

Acabar com a impunidade policial e promover os direitos dos indígenas devem ser prioridade no Brasil

Salil Shetty, Secretário-geral da Amnistia Internacional, com os povos indígenas do Brasil, cujos direitos humanos têm sido violados.Foi com esta certeza que Salil Shetty, Secretário-geral da Amnistia Internacional, terminou a visita de uma semana ao Brasil, onde analisou a situação de direitos humanos no país que se prepara para receber o Mundial de futebol e os Jogos Olímpicos.

“Apesar do progresso económico que aconteceu no Brasil na última década, a violência é endémica e a resposta atual não só falha em reduzi-la, como ainda agrava a situação”, afirma o responsável, que durante a visita pediu a reforma do sistema policial. Depois de visitar a favela Complexo da Maré, o responsável alerta: “as pessoas temem tanto os criminosos que as atacam, como a polícia que supostamente as protege”.

Atila Roque, Diretor do escritório da Amnistia Internacional no Brasil, acrescenta que “a insegurança e as frustrações de quem vive nas favelas se está a espalhar. As pessoas que se identificam como sendo da classe média e que saíram às ruas nos últimos dois meses – muitos pela primeira vez – estão a ver o lado feio do policiamento”. Preocupações que Salil Shetty expressou a diversos ministros, incluindo o Ministro da Justiça de Brasília, José Eduardo Cardoso.

Os direitos das comunidades indígenas, cujo dia internacional foi assinalado sexta-feira (9 de agosto), também foram um tema central no discurso do Secretário-geral. A delegação da Amnistia Internacional visitou a região do Mato Grosso do Sul e reuniu-se com os povos Guarani-Kaiowá, que têm sofrido violência, desalojamentos forçados e outras violações de direitos humanos devido ao constante adiamento da demarcação de terras.

“É importante que o governo rejeite a falsa dicotomia entre desenvolvimento e direitos humanos. O Brasil tem os recursos legais e financeiros para assegurar os direitos dos povos indígenas. Agora, o governo tem que demonstrar que também tem vontade política”, referiu o Secretário-geral, que concluiu: “O governo tem o direito de se sentir orgulhoso das suas realizações, particularmente no que diz respeito à redução da pobreza e da desigualdade de rendimentos. Mas precisa de lidar com um sério problema de violência e de insegurança. As favelas e as comunidades indígenas não podem ser ‘zonas livres’ de direitos humanos”.

Mais sobre a visita de Salil Shetty aqui.