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segunda, 07 novembro 2016 17:32

Bloqueio de concerto de rap em Angola é censura do Estado

SiteFOTOangolaConcertoBloqueadoHoras antes da agendada transmissão ao vivo pela internet de um concerto em Luanda, na noite desta segunda-feira, 7 de novembro, do ativista e rapper Luaty Beirão, também conhecido como Ikonoklasta, e de MCK, dois bem conhecidos músicos angolanos e críticos do Governo, a Amnistia Internacional alerta que qualquer tentativa para impedir este evento constitui censura por parte do Estado.

“As autoridades angolanas têm de garantir que o concerto dos dois rappers se realiza sem mais interferências por parte da polícia, a qual já bloqueara que o mesmo acontecesse no fim-de-semana passado [a 5 e depois a 6 de novembro]”, insta o vice-diretor do Amnistia Internacional para a África Austral, Tjiurimo Hengari. “A injustificada intervenção das forças policiais angolanas tem potenciais consequências de vasto alcance para a liberdade de reunião e para a liberdade de expressão artísticas no país, e tem todos os contornos de censura do Estado sobre Luaty Beirão e MCK pelas críticas que fazem ao Governo de Angola”, prossegue o perito da organização de direitos humanos.

O concerto de Luaty Beirão e MCK inicialmente marcado para 5 de novembro foi cancelado sem nenhuma razão apresentada pelas autoridades. O mesmo se repetiu no dia seguinte, depois de a polícia ter anulado a autorização de utilização do local onde o evento teria lugar.

Luaty Beirão é um conhecido músico de rap, ativista pró-democracia e forte crítico do Governo angolano. Foi detido a 20 de junho de 2015 e condenado pelos crimes de “atos preparatórios de rebelião” e “associação de malfeitores” junto com outros 16 ativistas que se tinham reunido para discutir política e questões de governação no país. A Amnistia Internacional considera-o um prisioneiro de consciência. Foi liberto a 29 de junho passado.

MCK foi, por seu lado, impedido pelo Governo angolano de viajar até ao Brasil a 24 de novembro de 2015, onde iria participar num festival de música. Este rapper fez campanha pela libertação de Luaty Beirão e demais ativistas no caso que ficou conhecido como Angola17.

 

A Amnistia Internacional insta ainda as autoridades angolanas a anularem a condenação do jovem ativista angolano Francisco Mapanda, preso por ter criticado a falta de justiça no julgamento dos Angola17, e a libertarem-no imediata e incondicionalmente. É preciso agir em defesa e apoio de Francisco Mapanda: assine a petição!