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quarta, 21 dezembro 2016 09:00

Cinco factos sobre o albinismo no Malawi

SiteFOTOmalawiAlbinismo5factosOs assassínios de pessoas com albinismo no Malawi fizeram títulos nos órgãos de comunicação social pelo mundo inteiro no início deste ano. Esta lista expõe cinco factos cruciais que ajudam a compreender a história por trás desses títulos.

 

1. O albinismo é uma característica de pigmentação hereditária

O albinismo é uma característica genética hereditária que impede o organismo de produzir melanina, ou pigmentação, suficiente para proteger a pele dos raios solares. Afeta uma em cada cinco mil a 15 mil pessoas na África subsariana, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde. Esta ratio é maior do que na região da América do Norte e na Europa onde, segundo a organização não-governamental Under the Same Sun, o albinismo afeta uma em cada 20 mil pessoas. Entre sete mil e dez mil pessoas vivem com albinismo no Malawi.

“Eu sei por que é que a minha pele é branca: porque foi assim que Deus me criou. Não me sinto diferente, mas alguns dos meus amigos discriminam-me.” – Annie Alfred, 11 anos

2. As pessoas com albinismo sofrem grave discriminação e outros abusos de direitos humanos

As pessoas com albinismo sofrem frequentemente discriminação profundamente enraizada. Em consequência, não têm as mesmas oportunidades de acesso ao ensino e a cuidados de saúde que as outras pessoas. Este tratamento desigual é alimentado por superstições e crenças erradas. No Malawi, há quem pense que as pessoas com albinismo têm magia nos ossos que pode tornar os outros ricos; há mesmo quem pague somas elevadas por partes dos seus corpos, o que leva ao prosperar de um comércio horrível. Este comércio é impulsionado pela procura crescente por partes de corpos de albinos nas regiões oriental e austral de África. As Nações Unidas apontam que, entre 2000 e 2013, foram recebidos 200 relatos de ataques rituais contra pessoas com albinismo em 15 países – todos no continente africano.

“Chamavam fantasma à filha da minha prima na escola, pensavam que ela lhes trazia azar. Por isso, ela acabou por abandonar a escola. E a minha prima tinha medo de se ir queixar à escola. Ela tem outros seis filhos com albinismo.” – testemunha entrevistada pela Amnistia Internacional em fevereiro de 2016

3. Crenças danosas para as pessoas com albinismo persistem por todo o Malawi – e estão na raiz da violência com que são visadas

Muitas pessoas acreditam que o albinismo é contagioso – não é. Há quem pense que os ossos dos albinos contêm ouro e, por isso, matam ou roubam os corpos das sepulturas para os obter. Outros creem que o albinismo é causado por infidelidade, ou que é um castigo dos deuses. Entre os muitos insultos dirigidos a pessoas com esta característica de pigmentação estão: “fantasma”, “ouro” e “dinheiro”.

“As pessoas dizem-me que vão vender-me. Uma vez disseram-me que eu valia 6 milhões de kwachas do Malawi [cerca de dez mil dólares]. Doeu-me ouvir que me punham um preço.” – homem com albinismo, em entrevista à Amnistia Internacional em fevereiro de 2016

4. Os atacantes de pessoas com albinismo são desde criminosos a familiares

As pessoas albinas no Malawi têm muito poucos lugares seguros. Estimulados pelos preços elevados que são pagos pelas partes de corpos de albinos, grupos criminosos caçam as pessoas com albinismo. Em janeiro de 2016, o corpo mutilado de Eunice Phiri, de 53 anos, foi encontrado no Parque Nacional de Kasungu, na Zâmbia. A polícia apurou que esta mulher fora enganada pelo próprio irmão e outros dois homens, que a levaram até ao parque sob o pretexto de um passeio, e ali a mataram e desmembraram.

“A maior parte dos que atacam [as pessoas com albinismo] são familiares próximos... Conheci uma mãe em Chitipa que escondia os filhos, cheia de medo. Por isso, as crianças não iam à escola.” - testemunha entrevistada pela Amnistia Internacional em fevereiro de 2016

5. Os ataques relacionados com o albinismo dispararam desde 2014

Os ataques contra as pessoas com albinismo registaram um pico significativo nos anos recentes. Pelo menos 18 pessoas foram mortas e cinco outras desapareceram desde novembro de 2014. Em 2015, foram registados 45 relatos de raptos e homicídios ou tentativa de rapto e homicídio. Milhares de pessoas – especialmente crianças – vivem imersas no medo, hesitantes em ir à escola ou a qualquer outro lado porque podem ser raptadas e mortas. Só em abril de 2016, quatro pessoas com albinismo foram assassinadas; entre elas: um adolescente e uma bebé. Whitney Chilumpha, de apenas dois anos, foi raptada de casa quando estava a dormir ao lado da mãe. Dias mais tarde, foram encontrados pedaços do seu crânio, dentes e peças de roupa numa colina próxima.

 

A Amnistia Internacional, em defesa das pessoas com albinismo no Malawi, e no âmbito da Maratona de Cartas de 2016, exorta diretamente as autoridades daquele país a protegerem o albinos e a garantir que os perpetradores destes crimes são julgados e punidos. Junte-se a este apelo: assine!